Quando pequena, a filha da costureira era sempre escalada para fazer a prova das roupas das freguesas. Na adolescência, além de provar as roupas, sua mãe pedia para que desenhasse alguns modelos, o que obviamente, como forma de rebeldia, a levou a ficar anos se recusando a desenhar. Percebeu que ao invés de punir a mãe, quem estava se castigando era ela própria. Dani Sá, formada em Publicidade, preferiu o caminho mais longo para ter certeza que sua verdadeira inclinação é o desenho: ao longo de anos foi produtora de comerciais, documentários, programas de TV, além de ter um programa de rádio e discotecar (tudo ao mesmo tempo em que criava coleções para uma marca de streetwear em sua cidade natal).
Quando se distanciou de tudo, trocou Belém do Pará por São Paulo, pôde se concentrar ?apenasmente? no desenho, encontrar seu traço, sua força e delicadeza. O traço, ora firme, ora delicado e cheio de meandros vem das lembranças da época em que se aprendia o bordado e o crochê ainda na escola. Gosta de desenhar coisas femininas, mas às vezes muda tudo e faz um grafitti, ou um stencil, ou uma serigrafia... Não importa a técnica utilizada, está sempre em construção, como um desenho de crochê que no meio de tudo você desfaz e começa novamente.
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